É uma noite bem fria e chuvosa no Rio. Saindo do trabalho, bem ali no Largo da Carioca, só dá pra ver caos, ouvir tiros e bombas e gritos.
Isso é a reação super-over de um povo insatisfeito com um governo que acredita que é a Mary Poppins: uma dose de açúcar faz o remédio descer. Mas não está adiantando. Não tem remédio. O açúcar não é doce. É o sabor amargo da revolta popular.
Keep calm e imagina na Copa... só tende a piorar. Ilustríssimos governantes, sentem e chorem porque não vemos muito jeito nisso.
O jeito é rir pra não chorar, ou matar alguém.
Nunca fui de sentir medo. Sempre fui briguenta, apesar de nunca ter chegado às vias de fato. Mas essa noite eu senti. Senti o que é estar no lugar errado quase na hora errada. Na hora de uma zona que antes começara como manifestação pacífica. Sem bem que eu não sei, não estava lá (graças a Deus). Não posso dizer se era tão pacífica assim. Mas, eu ainda vivo acreditando que as pessoas são boas e procuram o melhor para a sociedade. E a cada dia eu vejo que estou errada. Se não fosse Deus, eu já tinha desistido e deixado minha alma morrer.
Não dá pra explicar a sensação. Gente correndo, gritando. O único jeito é correr junto com quem corre pra longe dali.
Nessas horas a gente pensa se tudo vale a pensa mesmo. Se vale a pena enfrentar mais um dia de trabalho para não saber o que se vai encontrar na porta, seja do trabalho, seja de casa.
Fato é que a sociedade não tolera mais um governo omisso que tenta nos fazer acreditar na estrada de tijolos amarelos. Antes houvesse um Poderoso Oz que resolvesse essa bagunça. Ele existe. E é ainda mais poderoso que o poderoso Oz. Ele é o grande Leão de Judá. E Ele ruge...
Se eu não acreditar em Deus, eu deixo de viver. Então, enquanto há vida, há esperança. Sei que tem gente orgulhosa por tudo o que está acontecendo. Não deviam. Existem vidas inocentes pagando por esse descaso. Sempre houve, né? Mas fica cada vez pior.
Em pleno século XXI, o povo tem reações medievais e se esquece que ferir a Constituição gera automaticamente a perda de direitos, e da razão.
Eles podem ser presos sim. Não devemos causar dano ao patrimônio de outrem. Não existe direitos pra quem não cumpre seu dever de cidadão.
Eles não são cidadãos, são bestas feras que seguem um instinto animal violento e destruidor. Não há proteção do Estado para quem fere o Estado.
O cidadão deve exercer seu papel de analisar e pensar sozinho. Absorver informações empacotadas cobertas de veneno só causa morte. A morte da democracia, a morte da manifestação pacífica dos interesses da sociedade, a morte da ética...
Para os saudosistas, Renato Russo deixa um legado disseminado pela ilustríssimo guerreiro Hebert Viana: "Que país é esse?"
E eu pergunto: que Rio é esse? Que país é esse? O que aconteceu com gente que respirava movimentos estudantis que fizeram a diferença antes com a UNE? Esses, engajados, críticos, pessoas de opinião, se venderam. Esses, estão olhando de cima pois esqueceram o que fizeram antes, durante e após a ditadura. Cresci ouvindo falar dos maravilhosos Caras Pintadas, impeachment do Collor e outras coisas lindas do final dos anos 80 inicio dos anos 90. Isso tudo ficou por lá, pelo visto...
"Que país é esse?" Nossos ditos grandes heróis morreram de overdose e nossos "inimigos" estão no poder. Não temos mais ideologia. Não temos mais respeito. Não temos mais nada... além de Black Blocks.
Haja Deus. Haja misericórdia. Haja amor.
Mas, "o Rio de Janeiro continua lindo..."
Au revoir!
XOXO
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